TEMA

O esgotamento do modelo do jornalismo analógico e a necessidade de um novo paradigma na imprensa digital em face dos desafios tecnológicos das novas mídias.

O modelo vindo do jornalismo impresso pôde ser adotado e até mesmo ampliado quando do surgimento do rádio e depois, da televisão. A revolução que transformou a imprensa em potência de influência social e política foi o advento da publicidade, que ofereceu recursos para o desenvolvimento das grandes empresas de comunicação. As rádios trouxeram o contato audível e imediato, e a televisão incorporou definitivamente a imagem ao nosso mundo virtualmente real.

O jornalismo analógico atingiu seu ápice no final dos anos 1980 e início dos anos 1990. Os meios de comunicação se tornaram tão fortes a ponto de serem decisivos para a eleição de um presidente desconhecido no início da campanha, e pouco tempo depois, serem determinantes para a retirada do mesmo. As pessoas se acotovelavam no domingo para comprar o jornal na banca mais próxima. As novelas eram seguidas por quase a totalidade das televisões pomposamente instaladas nas salas, que foram criadas para recepcionar pessoas importantes, mas se transformaram em salas para assistir TV.

Quando o Windows surgiu no começo dos anos 1990, abriu-se um novo mundo, mas poucos tiveram a real dimensão do processo que estava sendo iniciado e que estava ali o começo do fim do sistema analógico. A imprensa riu-se quando viu grandes empresas produtoras de áreas como datilografia, calculadora, etc... Entrarem em falência total. Esfregou as mãos e pensou que era só passar o modelo vigente para a internet quando ela surgiu poucos anos depois. Mas parou de rir quando Stive Jobs surgiu com aquele celular que fazia tudo e foi uma das maiores disrupturas de todos os tempos. E começou a temer quando surgiram as redes sociais e a multiplicação de influenciadores, que tratavam de todos os assuntos que a mídia tradicional rejeitava.

Atualmente, a mídia tradicional caminha para a insignificância. Deve ser muito difícil para um poderoso voltar a ser um cidadão comum. Percebo que a maior parte destas antigas empresas de comunicação insistem nas mesmas fórmulas antiquadas que não funcionam mais. Vejo algumas delas trazerem para perto influencers importantes, mas é curioso ver que estes influenciadores, ao invés de agregar valor para a empresa, acabam perdendo seguidores e sendo muitas vezes fortemente cancelados. É como se as antigas mídias tivessem se transformado em uma doença contagiosa a quem se aproxima.

Autor: Arnold Gonçalves


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