TEMA

Gênero musical Sertanejo.

A música sertaneja atual tem como nome original o de “Música Caipira”. Muitos dizem que uma não tem nada haver com a outra, mas prefiro sempre a teoria da evolução, e como uma provém da outra, elas detêm a mesma carga musical genética ancestral.

Segundo os historiadores, consta que a música caipira surge no interior do país, início do século passado oriunda da junção de ritmos indígenas e da tradicional viola portuguesa usada nas cantigas. Seus temas, quase sempre, são voltados sobre as coisas simples do cotidiano, particularmente em relação à natureza, família, religiosidade e romance. Muitas vezes com complexos dramas de relacionamento e resultados catastróficos.

Por falar das coisas simples e ter uma musicalidade regionalizada, não cai nas graças da população das principais cidades, mais voltadas para o consumo cultural vindo do exterior. Nas grandes cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, este ritmo é tratado com desdém e chacota em relação aos que a ouvem, geralmente retirantes do interior em busca de melhor sorte na vida, e com pouca cultura em relação aos oriundos das capitais.

Pelo mesmo motivo, a música caipira ganhou força pelo interior do país, sobretudo no sudeste, centro oeste, e norte do Paraná. As pessoas esquecidas nos confins do país encontram neste ritmo uma forma de expressar suas angustias e alegrias. Com o êxodo do meio rural para o urbano que ocorreu a partir dos anos 1930 e ganhou impressionante força nos anos 1950, a música caipira ganhou força nas capitais mesmo a contragosto dos habitantes originais. O que ocorreu principalmente na região da grande São Paulo, onde se aglomeraram as novas fábricas.

As gravadoras, havidas por obter lucros com esta nova situação, criaram selos especiais para gravar artistas caipiras e assim perceberam rapidamente o quanto era grande e promissor este segmento. Os pobres tradicionalmente consomem mais que os ricos, e as gravadoras e artistas tiveram um grande impulso financeiro.

Coincidentemente, o auge da música caipira ocorre justamente durante o auge da indústria fonográfica, durante os anos 1970, a venda de discos atingiram cifras de milhões e grandes popstars do interior surgem ofuscando a elitizada música popular brasileira. Nos anos 1980 há uma saturação do estilo e as gravadoras investem na modernização do ritmo.

Surgem neste momento os grandes ícones modernos da música caipira, bancados pela grande mídia nacional, e sem saber, são os elementos migradores para o surgimento da atual música sertaneja. Com a introdução de instrumentos e musicalidade pop internacional, algumas poucas duplas caipiras monopolizaram por quase vinte anos o cenário musical sertanejo.

No final dos anos 1990 esta “modernização” também dá mostras de cansaço e perda de folego, e aparentemente a música caipira/sertaneja parecia estar com seus dias contados, pois a grande mídia nacional os abandonam. Mas lembre-se que o povo do interior jamais deixou de gostar da música de seu lugar somente porque saiu de moda, e como o mundo vive da reinvenção...

Novos músicos e cantores surgem com um ritmo muito mais animado e dançante; com letras despretensiosas, quase que em tom de brincadeira. Se auto batizam sertanejo, universitário, arrocha... e vão mesclando elementos de outros ritmos nacionais e internacionais em busca de agradar a meninada que continua a nascer e crescer por milhares de cidades do interior afora e continuam vivendo o drama de não ter como sobreviver sem sair de suas cidades natais, como acontecia lá no início do século passado.

E temos novamente a música caipira incomodando os nativos elitizados das grandes cidades, agora denominada música sertaneja e com ritmos mais internacionalizados e dançantes; e letras voltadas para os temas urbanos como o consumismo e sexo.

Autor: Arnold Gonçalves


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