Pergunta: Uso do "pelo" como preposição em voz passiva

Entrei em um site e vi a seguinte frase indicando a voz passiva: a lição de casa foi feita pelo aluno. Mas o termo "pela" é preposição, como isso foi possível?

Não há literatura clara a respeito do uso de “pelo” como preposição, mas em “A lição de casa foi feita pelo aluno.”; “pelo” está realmente em posição de voz passiva analítica por conta do verbo “foi”. O normal em se falando de preposição é usar “por” ou “de”, mas não encontrei nada que impeça o uso de “pelo” em substituição à “por”. Vale lembrar que “pelo” é uma contração da preposição “per” e do artigo “o” originários do Latim. Talvez daí venha a sua dúvida em relação a preposição. Preposição tem como função fazer a ligação entre dois elementos de uma frase e não vejo problema em usá-la em voz passiva. Voz passiva é a relação entre o sujeito e a ação de forma que a segunda esteja em plano superior. Sendo assim, neste caso “pelo” é preposição e a frase acima está na voz passiva.

 

Sua dúvida é bastante comum, pois muitos aprendizes estranham o termo “pelo” em uma oração passiva, achando que ele só funciona como substantivo (o pelo do gato) ou como locução adverbial. No entanto, na frase “A lição de casa foi feita pelo aluno”, o vocábulo “pelo” é, sim, uma preposição – mais precisamente, uma contração obrigatória da preposição “por” com o artigo definido masculino “o” (que acompanha o substantivo “aluno”). Essa contração não é facultativa; sempre que a preposição “por” anteceder um substantivo masculino singular com artigo, ela se funde em “pelo” (assim como “por” + “a” = “pela”, “por” + “os” = “pelos”, e “por” + “as” = “pelas”).

Na voz passiva analítica (formada pelo verbo “ser” + particípio do verbo principal), o complemento que indica o agente da ação – ou seja, quem pratica a ação verbal – é chamado de agente da passiva. Esse agente é tradicionalmente introduzido pelas preposições “por” (ou suas contrações) e, menos frequentemente, por “de”. Portanto, não só é permitido, como é a regra padrão usar “pelo” nesse contexto sempre que o agente for um nome masculino com artigo definido.

A sua referência ao Latim está correta, mas com um pequeno ajuste: o “pelo” moderno deriva da preposição latina “per” (que indicava movimento ou causa) combinada com o pronome/artigo “illum”, mas, na gramática do português atual, encaramos “pelo” unicamente como a fusão de “por” + “o”. A preposição “por” tem múltiplos usos (causa, meio, lugar, substituição etc.), e um deles é exatamente introduzir o agente em orações passivas.

Para ilustrar, compare com a voz ativa: “O aluno fez a lição de casa”. Ao passarmos para a passiva, o objeto direto (“a lição”) vira sujeito, e o sujeito ativo (“o aluno”) vira agente da passiva, precedido de “por” – daí surge “pelo aluno”. O mesmo ocorre em “O livro foi escrito pela autora” (por + a = pela) e “Os muros foram pintados pelos meninos” (por + os = pelos).

É verdade que a literatura básica muitas vezes destaca apenas a preposição “por” nos exemplos, mas isso é um recurso didático para simplificar; as contrações são consequência natural da presença do artigo. Não há qualquer impedimento gramatical, nem restrição normativa, que proíba o uso de “pelo” em voz passiva – pelo contrário, é a forma mais idiomática e frequente na língua escrita e falada.

Já a preposição “de” (e suas contrações “do”, “da” etc.) aparece em voz passiva apenas com certos verbos que indicam sentimento ou conhecimento (ex.: “Ele é amado de todos” – uso mais literário e restrito). Fora essas exceções, o agente da passiva exige “por”. Sendo assim, na frase em questão, “pelo” exerce plenamente a função de preposição (contraída) ao ligar o verbo “foi feita” ao seu agente, e a oração está inequivocamente na voz passiva analítica. Portanto, fique tranquilo: você pode usar “pelo”, “pela”, “pelos” e “pelas” sempre que o agente da passiva exigir artigo, sem nenhum receio – é a gramática padrão funcionando em sua plenitude.

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