Construção do texto

A produção de um texto coeso e persuasivo não é um ato aleatório, mas sim o resultado de um planejamento consciente que segue uma arquitetura lógica. Tradicionalmente, essa construção divide-se em quatro partes principais e sequenciais: a Apresentação do Tema, a Delimitação do Tema, o Desenvolvimento do Tema e a Conclusão. Compreender a função específica de cada uma dessas etapas é fundamental para organizar o pensamento e guiar o leitor de forma clara e convincente através das ideias expostas.

A Apresentação do Tema marca o início do texto, onde se introduz o assunto geral e se busca captar o interesse do leitor. Já a Delimitação do Tema é uma etapa crucial que muitas vezes se integra à apresentação; seu papel é focar e especificar o ângulo de abordagem. Ao transformar um tema amplo em um questionamento ou recorte específico, a delimitação funciona como uma bússola. Ela ajuda a organizar rigidamente o desenvolvimento do texto, direcionando a argumentação e, consequentemente, facilitando significativamente a compreensão das ideias expostas. Sem essa focalização, o autor corre o risco de divagar, produzindo um texto que, mesmo "brilhante" em trechos isolados, perde todo o seu efeito e coerência ao fugir do núcleo proposto. Manter-se centrado no tema delimitado é, portanto, uma disciplina essencial.

A terceira etapa, o Desenvolvimento do Tema, constitui o corpo principal do texto, onde as ideias são detalhadas, analisadas e sustentadas por argumentos, exemplos e raciocínios. É aqui que a reflexão prometida na introdução se materializa. Para que esse desenvolvimento seja eficaz, é importante atentar para a construção dos períodos. Deve-se evitar tanto períodos muito longos, que podem tornar a leitura confusa e cansativa, quanto períodos muito curtos em sequência, que podem fragmentar excessivamente o raciocínio. Além disso, a postura argumentativa deve ser firme: expressões como "eu acho", "eu penso" ou "quem sabe" devem ser evitadas, pois introduzem uma subjetividade hesitante e enfraquecem a autoridade dos argumentos. O que se espera de um bom texto é muito mais uma reflexão objetiva e fundamentada sobre um determinado tema, apresentada sob forma escrita, do que uma simples redação encarada como um episódio circunstancial e informal.

Para garantir essa objetividade, a postura mais adequada em textos dissertativos é escrever de forma impessoal, preferencialmente na terceira pessoa do singular (ou do plural), o que confere um tom mais analítico e universal. Evitar a primeira pessoa do singular é uma recomendação que reforça esse distanciamento. Paralelamente, os princípios de clareza e simplicidade são vitais. Isso significa evitar o uso de palavras difíceis ou excessivamente técnicas cujo significado possa não ser de domínio geral, prejudicando a compreensão. Da mesma forma, não se deve usar palavras de cuja grafia ou uso preciso não se tenha certeza. Ter um bom repertório de sinônimos enriquece o texto e evita repetições, mas a escolha vocabular deve sempre priorizar a precisão e a acessibilidade. É fundamental ter em mente que uma redação de qualidade se destaca pela unidade entre todas as partes convergindo para o mesmo fim, clareza nas ideias expressas com transparência, coerência através de uma lógica sólida na conexão entre as partes, e concisão com economia de palavras sem prejuízo do conteúdo. Finalmente, em textos formais como dissertações, o uso de gírias é desaconselhado, pois elas pertencem ao registro coloquial e não fazem parte da norma culta da Língua Portuguesa exigida nesse contexto.

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