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Malala, jovem paquistanesa.

Surgiu em uma região onde se faz tristeza quando nasce uma menina. Ela não serve para as coisas da guerra, e sua utilidade restringe-se a fazer comida e procriar. Mas seu pai sentiu algo diferente, e fez questão que comemorassem sua vinda ao nosso mundo como se fosse um garoto. Deu-lhe um nome grandioso, de uma das poucas heroínas da história de seu povo. Malalai de Mainwand. Fundamental para a vitória contra o exército britânico durante a segunda guerra Anglo-Afegã.

Bem vindos ao paraíso! O vale em que nasceu pode ser considerado um dos lugares mais lindos do plâneta. Em meio a grandiosas montanhas, cachoeiras maravilhosas e lagos de águas cristalinas. Seu nome original era Jardim, recheado de flores silvestres, esmeraldas brilhantes e rios cheios de peixes. Ar límpido e paisagem estonteante. Os ricos visitavam com frequência este aprazivel local, e Malala, mesmo pobre, teve a benção de crescer neste ambiente de natureza sem igual.

Num passado longínquo, o local era recheado de templos budistas. Somente as ruínas de Buda ficaram como lembrança, e nelas as crianças da geração de Malala brincavam diante de barrigudinhos risonhos. Houve tempo de liberdade, mas depois, quem mandava eram os britânicos; e após eles, os paquistaneses assumiram o território. O Islã já estava presente desde o século XI, e este sim, desde então sempre foi o rei neste lugar.

Após o surgimento do Paquistão como país independente, o vale teve um acréscimo constante e elevado de população. As vilas cresceram com a chegada de populações vindas das redondezas, e rios e lagos tornaram-se sujos e poluídos. Por esta época começaram a surgir maiores problemas para os habitantes nativos do lugar. Contudo, a casa de Malala era de alvenaria, cercada de árvores frutíferas e espaço para brincar, e ela pode ter uma primeira infância feliz.

Dois anos após seu nascimento, Malala ganhou um irmãozinho. Este, simplesmente por ser homem, ganhou a preferência da maioria, mas o pai sempre permaneceu seu protetor. Com ele, ela brincava e brigava, como ocorre com todos os irmãos. A mãe era linda, mas analfabeta como toda mulher do lugar. O pai, inteligente, amante da literatura e natureza. Casaram por amor, coisa rara por estas bandas, mas pouco podiam falar sobre isto, por ser um enorme tabu.

Assim tudo começou, e sería mais uma história anônima caso não surgissem os problemas, perseguição, tiros, sobrevivência, fuga, reconhecimento, prêmio, política, persuasão. Ícone de luta. Mulher! Educação! Simplicidade e amor.

Autor: Arnold Gonçalves


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