Assembléia na Carpintaria
(Marcos Wlassow)
Contam que na carpintaria houve uma vez uma estranha assembléia. Foi uma reunião das ferramentas para acertar suas diferenças.
O martelo exerceu a presidência, mas os participantes lhe notificaram que
teria que renunciar. A causa? Fazia demasiado barulho e, além do mais, passava
todo o tempo golpeando.
O martelo aceitou sua culpa, mas pediu que também
fosse expulso o parafuso, dizendo que ele dava muitas voltas para conseguir
algo. Diante do ataque, o parafuso concordou, mas por sua vez, pediu a expulsão
da lixa. Dizia que ela era muito áspera no tratamento com os demais, entrando
sempre em atritos.
A lixa acatou, com a condição de que se expulsasse o
metro, que sempre media os outros segundo a sua medida, como se fora o único
perfeito.
Nesse momento entrou o carpinteiro, juntou o material e iniciou o
seu trabalho. Utilizou o martelo, a lixa, o metro e o parafuso. Finalmente, a
rústica madeira se converteu num fino móvel.
Quando a carpintaria ficou
novamente só, a assembléia reativou a discussão. Foi então que o serrote tomou a
palavra e disse:
- Senhores, ficou demonstrado que temos defeitos, mas o
carpinteiro trabalha com nossas qualidades, com nossos pontos valiosos. Assim,
não pensemos em nossos pontos fracos, e concentremo-nos em nossos pontos
fortes.
A assembléia
entendeu que o martelo era forte, o parafuso unia e dava força, a lixa era
especial para limar e afinar asperezas e o metro era preciso e exato.
Sentiram-se então como uma equipe capaz de produzir móveis de qualidade.
Sentiram alegria pela oportunidade de trabalhar juntos.
Ocorre o mesmo com
os seres humanos. Basta observar e comprovar. Quando uma pessoa busca defeitos
em outra, a situação torna-se tensa e negativa. Ao contrário, quando se busca
com sinceridade os pontos fortes dos outros, florescem as melhores conquistas
humanas.