Elisângela Ribeiro - Suzano SP
Patriotismo de um brasileiro
Num dia desses qualquer em que o sol acorda mal-humorado e o céu
acinzentado denotam uma certa melancolia,Pedrinho(como era chamado pelos
pais) acordou frustado. No dia anterior, a seleção brasileira havia jogado contra a Argentina.
Meses depois, sua família mudou-se para o Uruguai, onde residiriam ali por muito tempo.
Pedro havia feito uma promessa:"nunca deixarei de lado o espírito patriota";- dizia ele a si mesmo.
Aquele jogo Brasil 0x4 Argentina marcou demasiadamente o menino de
apenas dez anos, que sempre fora fascinado por futebol e principalmente pelo Brasil.
Após vinte e cinco anos, Pedro continuava morando no Uruguai. Ele havia
crescido e tornou-se um dos mais conceituados árbitros uruguaios.
Era o primeiro jogo entre brasileiros e argentinos depois do funesto
jogo Brasil 0 x 4 Argentina. A ferida ainda estava aberta no coração
do patriota Pedro Alcântara da Silva. E o pior era que o jogo seria apitado por ele mesmo: Pedro.
Os argentinos resolveram incendiar o jogo. Disputavam com dureza todas
as bolas. A primeira impressão era de que testavam o caráter
brasileiro. Em dado momento, um jogador da seleção brasileira,
volante, jovem e um tanto inexperiente, entra feio e firme sobre um
argentino acertando-lhe um pontapé, em cheio no rosto. Fez um falta
jamais cometida em todo o jogo. Pedro da Silva, então apita com
rigidez. Pára o jogo, avança contra o agressor e começa a
sacudi-lo pelos ombros, rudemente. E esbraveja numa impressionante encenação:
- Olhe seu moço, fique sério! Fique sério, caramba! Não ria do
que vou lhe dizer. E quase sussurrando ordena - Continue assim! Desça
o cacete nesses argentinos desgraçados e ordinários. Faça
isto... Senão eu te expulso de campo, ouviu seu moleque?!
E era mais de 13:30 h, e como era de se esperar o sol estava
ardentemente quente. O mineiro ia puxando um velho asno e caminhando pela estrada de terra.
Um caminhonete pára, desce um homem bem-apessoado e pergunta ao mineiro:
- Por favor, o senhor poderia me informar, para onde vai esta estrada?
Eu estou à procura de um posto de gasolina.
- Ela vai pra onde o "sinhô" quer, basta ir andando nela. - disse o mineiro.
- Olhe, eu não estou com brincadeira, será que você poderia me
informar, se não for incômodo, para onde vai esta estrada? -
perguntou novamente e desta vez um tanto impaciente.
- Uai, eu já falei, mas "vô" repetir, ela vai pra onde o "sinhô"
quer é só... - o homem nem deixou o mineirinho explicar, virou as
costas, entrou no carro e foi embora de marcha ré.
- Trêm besta sô! Eu "tô" falando que esta estrada vai pra onde ele
quer, é só andar e lá no longe ia avistar ao lado dum boteco, um posto de gasolina.