Maicon - Itatiba SP
O mistério da morte de Ângelo
Naquela fúnebre noite na fazenda de Ângelo que padecia e agonizava
estirado no chão, um cerco de pessoas vinham de suas casas e o
rodiavam com bastante curiosidade. Aquele mofino que morria tentava
dizer palavras, mas só saíam burburinhos de sua boca. Chegado os
homens de poder, as pessoas afastaram-se abrindo caminho para os
bombeiros que tentavam salvar a vida de Ângelo.
Houve-se um espalhafato quando os bombeiros deram a
notícia da morte do homem; os policiais começaram a investigar
aquele caso para desvendar o que causara a morte tão sofrida e
imoiedisa aquele senhor de cinquenta anos. Os bombeiros disseram aos
policiais que o velho teria sido assacinado, então a justiça decidiu
que todos que ali estavam teriam de ir até a delegacia para depôr.
Revoltados com aquela decisão as pesoas protestaram, mas não
adiantou tanta reclamação, foram todos parar na sala do delegado,
pois no meio daquela gente poderia estar o assassino.
O séquito seguiram os policiais, pelo pátio da
delegacia entraram carrancudos e inconformados por estarem ali. As
pessoas tomaram o acento, o delegado começou a fazer perguntas.
Alguém sabe de algo? Viram alguma coisa? Têm seus suspeitos?
Mas ninguém falava nada, agora naquela delegacia
estava um silêncio em que só ouvia-se a voz do delegado que fazia as
perguntas e não obtia respostas.
Impaciente de não conseguir arrancar nada daquele
povo, uma palavra que de-se uma pista, o delegado Jair Toledo, esse era o
seu nome, não teve outra alternativa a não ser dispensar aquele pessoal.
O tempo passou, nada fora descoberto sobre o
assassinato de Ângelo, um dia porém, um homem parrudo da pele
mulata encontrava-se dentro da casa do falecido. As pessoas o viram
entrar e rapidamente comunicaram ao delegado Jair que acompanhava o
caso. Jair reuniu quatro policiais e foram até lá onde renderam o homem
e o meteram no xilindró. O que faria uma pessoa no local de um
assassinato sendo que nem fazia parte da família? Teria voltado para
verificar se realmente matara o infeliz? Ou voltara para esbanjir-se de
objetos valiosos que estaria escondido em algum lugar? Essas perguntas
que todos se faziam levava a crer que Ricardo Souza, o suspeito
assacino, era o verdadeiro culpado.
Ricardo tentava se explicar, mas cada vez que abria a
boca levava uma punhalada nas costas o fazendo perder a noção e o
sentido. Depois de debatido o assunto e as provas mesmo que não
concretas terem sidas levadas em conta, ele foi condenado a uma prisão
de trinta anos que na verdade não foram cumpridas, pois o homem morrera
logo após alguns dias de ter sido preso. O que o matou? A angústia,
a solidão e principalmente a injustiça de ter sido levado a prisão sem ter
cometido nenhum crime, aquilo o deixou muitíssimo
perturbado e o levou a falecer.
Realmente ele era inocente, fora condenado mesmo
injustamente e o povo esqueceu essa história e não descobriram que o
verdadeiro assassino era o próprio delegado Jair que armou essa seguinte
cilada: Cometera o crime, matara o pobre Ângelo e sem que ninguem o
visse retirou-se do local do crime rapidamente e voltou para a delegacia.
Após tantos dias se passarem pediu a Ricardo, que vivia a cobrá-lo
uma conta antiga, que busca-se o dinheiro naquela casa. Assim Ricardo,
sem desconfiar de nada, foi visto como o assassino. Só que tentava
falar para esclarecer o que se passava não conseguia porque Jair dera
a ordem aos policiais para espanca-lo a cada vez que abrisse a boca.
Jair matou Ângelo pelo simples fato de armar essa
silada condenando Ricardo, assim o moço seria preso e ele não
precisaria paga-lo, sairia no lucro e continuaria com seu dinheiro sem
ter que dar um vintém de sua grana. Enquanto a Ângelo, que de certo
não tinha nada a ver com as dívidas de Jair, perdeu a vida
inultimente, pela arrogância e a ação desumana de um homem que se
dizia da lei, mas que na verdade não passa de um ser humano que só
pensa em si mesmo.