
LUA DE ÍCARO Escravo da insanidade Despercebe a loucura, Manifesta a liberdade Ainda que por detrás das grades Da pequena cela escura. Orgulhoso das enormes asas Sobrevoa a cidade, Acima dos telhados sujos das casas Mesmo que com as mãos atadas, Bate palmas de felicidade. Os pés no chão úmido e frio Não lhe remetem a realidade; Plaina sutil Em seu vôo infantil Tal como anjo de verdade. Os olhos brilhantes Miram por hora a lua que nos parece vazia. Rasga ao meio nuvens gigantes Extasiado com o azul cintilante Que os outros homens não viam. Enquanto a platéia aturdida assiste, A busca continua. No rosto aflito o sorriso insiste E ainda que convulsionado o corpo resiste Pressentindo a alma chegar à lua.
BOSSA NOVA: 50 ANOS Acontecia algo assim: pelo vento melodias e pau e pedras no caminho dedilhados pelo violão replicadas pelas notas concertadas do piano alguma coisa assim: do coração.... Risonhas frases no papel poemas como reflexos metafóricos... risos; embalos de sussurros; verbos juntados em versos alguma coisa assim: do coração... Nas auroras de outrora hoje são as mesmas entre cigarros e outros sempre e sempre averiguações Tons retocados Morais em canções João de tantos outros assim nascia algo; alguma coisa assim; vez por vezes: do coração.
A VIOLÊNCIA Eu não queria estar vivendo aqui. A violência está muito grande. Mas não tenho coragem de assumir. O que fazer com tanta gangue? Antes eram os bandeirantes, Depois os ditadores, Agora, todos os bandidos, Que parecem amadores, Com metais fundidos. Ta-ta-ta,ta-ta-ta,ta-ta-ta. O povo não tem, mas sobrevive. Com honra e glória no peito. O Estado tem, mas não cumpre. E nós morremos de qualquer jeito. Vou ao ritmo da melodia. Enquanto a saúde aguentar. Quem sabe envelheço um dia. Sem neles nunca esbarrar. Sonhando com novas manhãs. Tan-tan-tan, tan-tan, tan-tan-tan.
O TEMPO PASSOU...
E para falar a verdade até do seu nome esqueci.
Só que não esqueço o primeiro dia
Quando você me conheceu e eu te conheci.
Não me lembro mais da sua blusa decotada.
Das suas sandálias de tiras que nos tornozelos eram amarradas.
Da sua bolsa de couro.
Da sua pulseira que imitava as pérolas.
E do seu colar de bijuteria que parecia de ouro.
Não me lembro mais do seu sorriso
Pois, o tempo, não me deixa mais lembrar.
Das hitórias que te contava e te alegrava
naquelas tardes chuvosas e frias onde
como amigo te servia.
Não me lembro mais das suas unhas pintadas
e dos seus vestidos coloridos.
Do seu rosto limpo e puro
Dos meus segredos, pois, com você estavam bem guardados e seguros.
Não me lembro daquela primeira lágrima que no seu rosto escorreu.
Não me lembro do adeus e depois o que aconteceu.
Faço força para lembrar os dias que juntos passamos.
Só que para isso, não sei mais onde te encontrar.
O tempo nos diciplina e nos ensina de que nada adianta
vivermos recordando e ficarmos lembrando algo que não mais
irá voltar.
Só que a Deus eu agradeço por tudo o que aconteceu.
Tive força e coragem
Para enfrentar os devios dessa viagem que parecia não ter fim.
Penso eu que paguei os meus pecados, pois, nunca fui deixado de lado
por alguém que só simpatizou por mim.
ANSEIOS Ambicionei tanto que agora Já nem sei se quero. Esperei tanto Que até nem sei mais o que espero. Não sei se desisti por mudar de idéia ou se porque minhas forças acabaram. Nem sei mais Que caminho eu sigo, se sigo um caminho ou se paro. Isto é se, ao menos, eu estiver caminhando...
O QUE SE PASSA COM O ASSASSINO DE ISABELA Um suspense morre atrás do horizonte Uma crueldade clama pelo monte Dentro de mim sei que fiz uma loucura Não sei se passo por uma triste aventura Da primeira instancia Vou viver como réu, de tribunal Vindo de uma ganância Não sei por que fiz este mal Vivo agora sem jeito Tudo por causa de um crime perfeito, Agora passo por um momento cheio de dor Que Tocando a alma, Nem mesmo O silencio acalma, vou fazer uma morada. Ao mundo sem nada Dentro de mim sei que fiz uma loucura Não sei se passo por uma triste aventura Queria a minha flor Queria se livrar desta dor
TENTANDO JOGAR COISAS FORA Mexo, remexo e torno a mexer Quanta coisa! Coisas velhas! Tantas lembranças, quantas histórias! Preciso de espaço Mas como? Tudo tem o seu valor Não vou me arrepender? Não irei me desfazer da minha vida. Afinal, é só o que temos com o tempo: Lembranças, histórias, fotos, documentos, Utensílios, coisas que um dia como alimento Foram importantes pra nós. Mas, hoje são só coisas... Eu ou o que eu fui? Preciso de espaço, o que fazer? Desfazer-me do que fui? Afinal, ainda não sou Jogar fora o que eu era? Afinal, quando será a minha era? Como saber o que não serve mais? Ou ainda, o que um dia me tornará a servir? Como saber o que é valioso de tudo que eu fui? Se não sei quem sou ou serei. Mas, eu preciso de espaço Espaço para que afinal? Para viver, para aprender outra forma de ser Afinal, a gente nunca é o que espera ser No final.
TUDO O QUE SE PODE CRER. Desde criança eu procurava as respostar para todos os fatos, entalos e embaraços de qualquer situação. Mas descobri que o tempo nos esclarece e desatam os laços, amadurecem os cachos do fruto da imaginação. Mas os tapas na cara que a vida dá nem sempre cala o que se quer dizer os olhos cor de esmeralda rodam sem parar tentanto sempre tentar entender que o que se vê não é tudo o que se pode crer. Nas alegrias da vida hoje me entrego nas tristezas me apego ao que não vejo minha mente busca um conforto as cegas mas na hora de sucesso não me esqueço sempre agradeço. Eu agradeço a quem nem vejo só o sinto. Será que isso é o bastante para crer? Sinto tanto que me assusto até comigo Sexto sentido só quem tem pode prever.
VAZIO Os dias agora são tristes e sombrios Vão passando... passando... passando... Assim como os rios em seu leito. A noite se aproxima... e vem com ela o vazio. A saudade e a solidão; chegam a doer no peito... Não sei se choro... ou se sufoco o pranto. Só sei que pra essa dor, não há mais jeito.
"MINHA LÍDIA" "Minha querida Lídia, como sonho reencontrar-lhe, E dizer-lhe o que, por medo, não lhe disse antes, Depois tomar-lhe nos braços, com furor beijar-lhe... Para que possamos nos entrelaçar como dois açucarados amantes! Querida amada, adorada pantera tenra e selvagem, Quero você mais que qualquer coisa já desejei Mimá-la, acariciá-la sem falta nem sem margem, Apalpar seus seios, suas coxas, lamber seus lábios tentarei!
ME DEIXA...
Me deixa ilustrar seus sonhos, tornar real as fantasias
Ser o refrão sem cansar, uma linda melodia
Quero poder ser poesia, sem nunca perder na palavra a intenção
Voar nos seus olhos, correr para seus abraços e te adivinhar os desejos.
Quero cantar a mais linda canção e saber que nela te entrego as mais doces e intensas emoções.
É meu descanso esse teu encanto
Me leva e me faz mais, quero ficar aqui.
SENHORA Senhora minha, minha senhora, não sei por que choras. Será tristeza, amor, saudade, devaneio ou apenas receio, Ou fruto de dores no peito de uma separação que ignoras; Acoplando as horas de rejeito, prometo que será um recreio. Descanso de amor, de perdas energéticas que o amor proporciona, Clamas, imploras, choras, mas a inglória veio na hora incerta. Cabeça ausente de desejo. Revejo o momento certo que equaciona; Senhora minha, minha senhora, revérbero meu coração que emociona. Que conclama perdão e se infla de fluidos na introspecção ética e moral, Que renascem, crescem, multiplicam-se para dividir-se em raios de amor; Com calor, carinhos, sensações ardentes, que crescem de modo anormal. Diga sim, volte para mim, perdi o rumo, o anseio de um amor desproporcional. Senhora minha, minha senhora, não sei por que choras, Choro de alegria, de ansiedade, de desejos ardentes que estão porvir. Meu senhor, senhor meu, quero carícias, beijos ardentes. Imploras! É hora do afago amoroso, do abraço fogoso que nos leva ao grunhir.
FÉ Faço promessas pra te encontrar Vejo estrela no céu Quero ver você Bater meu coração na direção certa Parar de escrever poesias de solidão Coisas assim Suco de laranja Coisas pequenas Solidão aguda Rua vazia Apenas eu Bolhas de sabão Arroz com feijão Sua boca Esquecendo de minhas próprias vontades Desejos reprimidos Dias difíceis Coisas banais Mais uma vez me perdi em você Ao invés de me encontrar Fiquei com um caminho a toa Por nada E sem sentido nenhum Queria dizer uma coisa Mas coisas não podem ser mais ditas dessa maneira Me esqueceu Fez que me esqueceu Mas como esquecer do vazio Se você todo dia me lembra dele Vejo televisão As vezes não Odeio pimenta Você me viciou em você Agora sou dependente Sem razão pra você voltar Fiquei sem você sem razão para Ter ido Não me desespero Penso em não pensar em você Mas acabo pensando Ficando sem você Quero ir embora Mas não viajo em naves espaciais Então como sair do seu mundo Se você me prometeu dias melhores E essas noites tem sido difíceis demais Sem suas promessas
FANTASIAS DO TEMPO Indiferente à realidade Joga desejos Brinca no sonho Na magia da idade Asas da beleza Alinham os sentimentos Encobrindo a sutileza Humanizam os momentos.
UMA ESTRANHA SENSAçÃO: É uma estranha sensação Ter a nítida impressão De não ser capaz Da vontade de chorar Ah, se pudesse voltar atrás E conseguisse liberar Liberar a minha mente Do medo mais recente E finalmente partisse a voar. Voar para onde meu sonho me guiar Para onde a vida me levar. Viver cada segundo. Respirar esse mundo. E sentir lá no fundo. O cheiro do amor. O cheiro da flor Que brota da natureza Com toda sua realeza. Ah, frágil liberdade Em perfeita sincronia Que felicidade Essa doce sinfonia E voltando lá atrás Àquela estranha sensação De não ser capaz De repente se transforma Se transforma e se reforma Me dando imensa alegria.
PROCURO
Procuro um caminho...
Sou sonhador.
Procuro o destino...
Sou amador.
Paro; Olho; Reflito:
Hesito, fito... não vejo nada...
Convicto me pergunto:
Valeria apena achar o caminho se estou só na estrada?
HORA FATAL É agora. É afora. É depois. É nós dois. É ninguém. É o que não vale vintém. É falar não mais. É ficar pra trás. É dizer adeus. Para nunca mais. É a obra-prima da nihilessência. A incongruência. Subpoesia. É a apatia. A irrelevância. A ignorância. É não mais temer. Por nada não se ter. É antipatia. Por não merecer. É sofrer calado. É estar cansado. Se sentir fadado. É incompetência. Estar inseguro. É olhar o muro. Bem à sua frente. É ficar doente. É "lavar as mãos”. É negar perdão. É dizer "jamais!”. É voltar pra trás. É conspiração. É sempre dizer "não!”. É prisão perpétua. No coração.
A VIDA Quero explicar a vida! Mas que vida é esta? Vida do amor? Vida da dor? Vida da paz ou vida da guerra? Quando sorrio, estou vivendo Mas se choro, também estou! Pois é! E assim é a vida! Às vezes alegre Às vezes sofrida Às vezes feia Às vezes bonita Quer saber? Cansei de tentar explicar a vida Pois, já entendi Que a vida não se explica A vida, Deve ser simplesmente, VIVIDA !
DECADÊNCIA DA CADÊNCIA Proíbo-te de fazer poesias De andar pelo Cais De soltar os veleiros ancorados Proíbo-te de fazer poesias De viver nos ateliês De roubar amores pintados Proíbo-te de fazer poesias De roubar as asas dos pássaros De infiltrar no arco-iris cores imaginárias Proíbo-te de fazer poesias De abrir o meu peito cansado De revelar a dor ocultada Proíbo-te de fazer poesias De ser melhor que minha raça De dar cadência à arte Proíbo-te de fazer poesias De ser mulher Meireles De ser poetisa Machado Proíbo-te! Proíbo-te! De tirar a decadência da poesia De salvar a cadência das palavras
NAUFRÁGIOS O vento do norte Não queria ser ouvido Então, sussurrou aos ouvidos Do poeta mais atento Que em seu alento Recostou em uma concha E na ressonância calma Entendeu seus lamentos De naufrágios e furacões De almas à deriva No reino de Poseidon Por fim, quando o vento serena O poeta mergulha fundo Em mais um poema.
O TEAR A complexa tessitura da aranha Alimenta suas entranhas Com a estranha seiva das moscas. A teia é sua arte Sua manha Sua artimanha. A teia é a linguagem em que a mosca (Quando já ninguém poderá saber Se sedada, seduzida, descuidada Ou qualquer outra cilada) Emaranhou-se Debateu-se Entregou-se.
O SORRISO DA VIDA Correm os dias como a água nos rios desembocando em mares da eternidade voam as horas como pássaros no céu e as noites refletem solidão e saudade. A vida passa como passam as nuvens carregadas de tempestade e bonança Mas quando prevalecem apenas os bens perdem-se valores alegria e esperança. Se não houver o convívio com pessoa nem laços de uma verdadeira amizade o ritmo da musicalidade da vida distoa e perde-se a espectativa da imortalidade. Não se desnorteia quem se orienta no amor seja qual for o caminho que deva seguir reconhece em toda criatura seu real valor encontra sentido para o próprio existir. Para quem vive bem o tempo não passa a esmo um edifício de felicidade lhe é contruído por amar aos outros e respeitar a si mesmo a vida lhe sorri entusiasta e plena de sentido.
EM BUSCA DE UMA PAIXÃO... Em busca de uma paixão Passei meus dias sob a luz da lua Rezando para ser vontade sua A eternidade da nossa união. Em busca de uma paixão Tentei mudar o que fazia errado Para viajar contigo ao meu lado Na melodia de um só coração. Em busca de uma paixão Comecei a me perder no vazio... Sem saber o que era quente ou frio Perdi-me na loucura e na razão. Em busca de uma paixão Vaguei em círculos toda a vida E atrás de minha querida Encontrei-me na solidão.
ADEUS A MINHA DOCE AMADA
A beira da morte e perto do fim, por favor me dê um sorriso, pelo amor de Deus olhe para mim, e veja o quanto eu choro imaginando a luz do meu desejo que resplandece ainda dentro de ti.
Na beirada da cama não agüento vê-la à sofrer, peço para Deus a sua misericórdia, porque não agüento mais ver ao seu sofrimento, e vendo-a partir de mim pouco a pouco sem poder fazer nada, dói-me o coração, a sua dor é o meu maior sofrimento, queria estar em seu lugar, porque a amo muito, e sempre a amarei.
Ah... Minha amada, até parece que só dorme, e essas lindas flores que a cobrem, me parecem um lindo lençol, sim, um lindo lençol de flores que nunca ressecará por estar sobre você, à verdadeira essência da pureza do amor.
Entre as mais belas mulheres do mundo, estava você, e entre as setes maravilhas do mundo, eu havia escolhido você, a minha doce amada, a minha Eva, por conter a primícia da beleza e da perfeição divina de uma diva.
O meu coração estar sendo mutilado, estraçalhado, pulverizado, só em saber que não a terei nunca mais. Já sinto saudades dos seus beijos, queria estar agora em seus braços, te amo, e sempre te amarei, adeus minha doce amada.
CRIANçA NA LIXEIRA Ando em terreno úmido, chão escorregadio, vil, de marcas de urubus, de ratos e de hum anos. Desenho em preto e branco seus pés entrelaçados disputando espaços. Lixeira, arranjo de labor, Últimos passos, erro, enterro de homens, almas em dor. O que busco, do que fujo? Desço mais além com as moscas, bactérias fétidas... sei lá o quê. O menino está lá, não me espera, não me entende. Chego a ele, que senta, não sabe o que é estar ali. Por um instante esquece o nome. Levo dele bem mais do que a recordação em foto.
SOLIDÃO Sinto só nessa noite escura A solidão me amedronta O frio me atormenta E você não se encontra. Me perco em palavras Como faço agora... Assim consigo esquecer A Vida de outrora! Hoje durmo para sonhar! Sono e não quero acordar! Na realidade.... Hoje vivo para recordar!!!
PAIXÃO QUE NÃO MORRE Ah, paixão que não consigo descrever, vem lá do fundo da alma que não consigo ver desperta até meu interesse de viver. Apaixona por uma pessoa especial Que me faz sorrir Faz-me chorar E até mesmo rezar. Tão apaixonada que não consigo disfarçar. paixão que não acaba mais. Machucou meu coração, deixou marcas lá atrás. Hoje peço perdão, Por ter acabado com essa paixão. Arrependo-me tanto que às vezes me culpo, e falo que ele tinha razão. Razão em falar que o amor ainda existia. Razão em dizer que a paixão ainda permanecia. Razão em dizer que brigas e ciúmes acontecia, mas que apesar de tudo o amor não morreria.
MEU SONHO Meu sonho é abrir os olhos e te encontrar Meu sonho é acariciar sua face sem medo de te Amar Meu sonho é palavras doces em teu ouvido sussurrar Meu sonho é dizer-te que a Amo e não ter medo de você me negar Meu sonho é percorrer todo o seu belo corpo E um único ser venhamos a formar Meu sonho é ter você e com mais nada me preocupar Meu sonho é minha vida a ti dedicar Meu sonho é as Estrelas ao teu lado contemplar Meu sonho é tê-la em meus braços E para nosso leito de Amor lhe carregar Meu sonho é junto a ti um dia vir a estar Meu sonho é sua bela pele poder tocar Meu sonho é teu coração conseguir conquistar Meu sonho é olhar no fundo dos teus olhos E seu Amor conseguir conquistar Meu sonho é lhe devolver tudo que alguém veio a lhe roubar Meu sonho é nunca mais de ti desgrudar Meu sonho é acordar ao seu lado E ter a certeza de que nem a morte irá nos separar Meu sonho é todo meu Amor a ti entregar Meu sonho é Eternamente em seus braços descansar Meus sonhos são esses e não importa Meus sonhos são muitos Mas o maior deles é contigo a Eternidade passar E todas as minhas noites de sono contigo virei a sonhar E aguardando este dia tão Belo chegar Dia que meus sonhos junto a ti irão se realizar
GRATUITAMENTE Eu dou meu coração... não me faz falta... Não precisa pedir... te dou de graça... Porém não o estranhes, se ele salta, É porque sente dor... mas logo passa. Procura abrigá-lo no teu peito, Afaga-o... ele gosta de carinho, Mas se quiseres vê-lo satisfeito, Apenas diz que eu não fiquei sozinho... Guardei tua lembrança no vazio Da alma, para que meu coração Não sinta, mesmo longe, aquele frio Que eu tenho, quando estou na solidão. Só peço um favor, se o espaço Do teu amor for bem menor que o meu, E o teu dom de amar tornar escasso O dom do meu amor dentro do teu... Devolve o coração que eu te der, Carente ... e é bem provável que o mate A tua solidão... que não o quer E o outro coração que o arrebate.
AS VEZES... Às vezes, é necessário penetrar nas trevas, para enxergar a luz no fim do túnel. Às vezes, é necessário descer ao fundo do poço, para poder olhar pra cima. Às vezes, é necessário sujar os pés na lama, para dar inicio a purificação. Às vezes temos que submergir para emergir. Caí para levantar. Chorar para sorrir. Morrer para renascer. Passar pelo inferno como Dante. Para chegar aos céus, triunfante.
FARDA Na escuridão, no beco, favela Pequenos lampejos de tiros Iluminam uma farda cinzenta Cor apropriada para nossa sociedade A farda parece lutar por si própria Como num jogo de polícia e ladrão Onde não tem vitima, nenhum delito Prende porque é essa sua atribuição Salário de miséria perante a situação Arrisca a vida para ganhar o pão Pensa nos filhos, no alimento da família Não vai morrer agora, não é sua hora Mais uma noite emudece, no chão Alguns corpos mais para a estatística Uma farda amiga, três sem camisa Quatro marrons a menos para o censo A claridade do dia faz arder a vista No cérebro os pipocos, flashs da ação O cheiro de churrasco humano A sociedade exige bom comportamento Escravo privilegiado, funcionário público Vai voltar para casa, aos nervos Uma cachaça, uma bituca para aliviar As mãos sempre próximas à cintura De costa para paredes, portas, fundos Não pode falar, conversar, desabafar Qual o peso dessa farda, ou será fardo A pressão exercida sobre seus ombros É caso comum, muitos na mesma trilha Violência familiar, violência na quebrada Não quer meter a família no meio Foge, atentado, mais um suicídio Mais uma vaga no próximo concurso
A VIDA É ASSIM... Lágrimas que caem, traduz o que a boca não fala Nas últimas horas não sai a voz que se cala Poucos sabem, poucos sentem... O que o silêncio esconde? O que será, o que virá daqui a diante? A vida é assim... as vezes igual, as vezes diferente Parece que deus esqueceu dos seus A vida não aquece mais, faz frio quando há sol A vida esquece dos que lembram Por aqui já não podemos ser nós Quanto menos espelhos, menos dor Quem chamou de perfeito o amor? A vida é assim, mágica, magnifica, extraordinária... E é também fraca, ingênua e sem graça...