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Primeiro veio o FIM, e a perplexidade diante do correr dos acontecimentos levou-me a necessidade de pedir ajuda. Não sabia mais qual era a diferença entre amar e ser amado, ou entre amizade e paixão. Percebi o quanto de irrealidade criamos para conviver com a realidade e que a frustração é sempre o lugar comum resultante desta comunhão.
Com o passar do tempo a poeira se assenta e o vazio que se delineia vai me levando ao estado de auto-DESPREZO. A certeza da incapacidade de reconquistar metas perdidas, ou de alcançar novos objetivos vem através da sensação de não saber o que querer, só de saber que nunca conseguirei o que quer que eu queria. Pareço ser uma alma ambulante, vagando pelo espaço que ocupei um dia, mas que agora me é intocável.
O pessimismo levou-me à milhares de quilometros da próxima pessoa e a SOLIDÃO instaurou o seu reinado. Não tinha mais a quem falar sobre meus problemas e desilusões, logo, comecei a jogar a culpa nas pessoas, depois, na sociedade, e por fim, em Deus. Realmente desejei a morte como se fosse uma salvação, mas faltou-me coragem para ir ao seu encontro.
Como não havia ouvintes, passei a idealiza-los; mais que isto, criei verdadeiras musas, às quais despejava todo o meu desejo de atingir o INATINGÍVEL. A necessidade de encontrar uma pessoa legal crescia a cada prova de que nem todos estavam alheios ao meu processo de auto-degradação, mas ainda assim os sentia distanciados da minha realidade interior.
O SONHO se tornou minha saída, a realidade meu martírio. Foi o melhor tipo de contato que consegui fazer com alguém, afinal, tudo era criado por mim , e por conseqüência, estava sob meu controle. Cheguei até a tentar dar vida as minhas criações imaginárias, como não foi possível; quis me imaterializar a fim de alcançá-las em sua realidade.
As viagens imaginárias acabaram me servindo como um elo de ligação entre o pessimismo e o OTIMISMO. Meu espírito ganhou esperança de conseguir elevar-se e sair do poço; por isso acreditei que com o passar do tempo, aliado a muito esforço e fé chegaria ao encontro com a nova vida. O reencontro com o meu semelhante, a redescoberta do amor.
O tempo passou e o INÍCIO de uma nova época se confirmou, a expectativa da realização de desejos abafados se harmonizaram com a realidade nascente, emergente de meu próprio corpo presente, que por atitudes ávidas de felicidade encontrou as boas pessoas que tanto procurava desde que o fim se fez presente.
O MEIO foi posto propositadamente fora desta história, pois a vivência da felicidade é indescritível e não casa com o ato da escrita, principalmente porque não há vontade de reservar horas que poderiam ser de satisfação, para sentar defronte a uma mesa e escrever sobre o quanto é bom estar satisfeito por ter alguém com quem ser feliz.