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Vida e Obra:

Machado é considerado o maior escritor brasileiro de todos os tempos. 1839: nasce Joaquim Maria Machado de Assis, no Rio de Janeiro, morro do Livramento. Filho de um pintor de paredes mulato e de uma portuguesa de cultura mediana.

1849: órfão de mãe, passa a ser criado pela madrasta lavadeira e doceira, a quem ajudava vendendo doces entre o morro e as portas de colégios onde não pôde estudar. Freqüentou algum tempo a escola pública; porém, inteligente e esforçado, procurou ler muito e instruir-se por conta própria (autodidata em espanhol, inglês, italiano e alemão) ou com o auxílio de amigos (padres e intelectuais da época). 16 anos: emprega-se na tipografia de Paula Brito, onde fazia de tudo: revisor gráfico, caixeiro, corretor de textos, vendedor de livros, diretor de revistas e jornais. Conhece protetores importantes, como o escritor Manuel Antônio de Almeida, entre outros.

1855: publica seu poema "Ela" no jornal Marmota Fluminense. Logo começa a escrever folhetins. Aos 19 anos já colaborava em jornais e revistas (1858 a 1867).

1867: ingressa no funcionalismo público, onde faz carreira rápida e respeitável.

1869: casa-se com a irmã de um jornalista amigo, Carolina Xavier de Novais. Apesar de não terem filhos, viveram unidos e felizes por 35 anos. Vai-se firmando como escritor de talento e funcionário exemplar, tornando-se aos poucos o intelectual mais famoso do Rio de Janeiro.

1896: funda a Academia Brasileira de Letras e é eleito seu 1º presidente, depois presidente perpétuo.

1904: morte de Carolina. Refúgio na tristeza e solidão. Agravam-se seus problemas de saúde.

1908: morre a 29 de setembro, em sua casa na rua Cosme Velho.

Obra Machadiana:

Poesia:

Crisálidas (1864); Falenas (1870); Americanas (1875); Ocidentais (1901).

Teatro:

Queda que as Mulheres Têm para os Tolos; Desencantos; Hoje Avental, Amanhã Luva; Quase Ministro; Os Deuses de Casaca; Tu, só Tu, Puro Amor; Não Consultes Médico; Lição de Botânica.

Contos:

1ª fase: Contos Fluminenses (1870); Histórias da Meia-Noite (1873).

2ª fase: Papéis Avulsos (1882); Histórias sem data (1884); Várias Histórias (1896); Páginas Recolhidas (1899); Relíquias da Casa Velha (1906)

Romances:

1ª fase: romântica ou imatura: Ressurreição (1872); A Mão e a Luva (1875); Helena (1876); Iaiá Garcia (1878). A estrutura narrativa ainda é linear, mas as personagens já apresentam certa densidade psicológica e os acontecimentos são narrados sem precipitação.

2ª fase: realista ou de maturidade: Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881); Quincas Borba (1891); Dom Casmurro (1899); Esaú e Jacó (1904); Memorial de Aires (1908). Aprimora-se seu estilo, aprofunda-se sua visão de mundo, aguça-se sua penetração na alma humana. Seus escritos apresentam as seguintes características: Universalismo: interpretação da condição humana a partir das pessoas que conheceu no seu tempo (2º Reinado e República Velha): o espetáculo e o espectador. Filosofismo e psicologismo: não escrevia para moralizar nem para divertir, mas para problematizar o homem e a vida; mergulhava nos desvãos da alma humana, à procura das causas profundas dos comportamentos aparentes (microrrealismo psicológico: busca do mínimo e do escondido: gestos, expressões, olhares dissimulados, intenções secretas, máscaras...) Pessimismo e nihilismo (nihil = nada): influenciado pela filosofia de Schopenhauer, Machado critica o homem, em geral figura mesquinha e interesseira, movido pelo egoísmo e marcado pela mentira e falsidade. Intertextualidade e paródia: Machado transcende e critica o movimento realista, com seu excesso de cientificismo e positivismo, incorporando ou evocando ideais estéticos de outras escolas literárias, assim como técnicas narrativas e posturas artísticas de épocas diversas, criando um estilo peculiar, único, eclético e perene. Suas principais influências provêm: da Bíblia, de Sterne, de Jonathan Swift, Victor Hugo, Xavier de Maistre, Garrett, Luciano de Samósata, Erasmo, Shakespeare... Metalinguagem e leitor incluso: Machado é um escritor que escreve ao mesmo tempo que se analisa. Escrevendo, conversa com o leitor, tornando-o cúmplice de suas bisbilhotices (diálogos, reflexões, digressões) e co-autor de seus romances. Ironia e sense of humour: ao expor o absurdo da condição humana, Machado esboça um sorriso amargo diante do que vê: é um rir para não chorar. A digressão (fuga do assunto principal) também é um recurso de que se vale freqüentemente, com o mesmo objetivo. Emprego de arquétipos - imagens psíquicas do inconsciente coletivo: modelos de seres criados como padrão, que remontam, geralmente, à tradição clássica e aos textos bíblicos (Édipo, Caim e Abel, Esaú e Jacó etc). Estilo clássico e enxuto: marcado pela elegância, correção, clareza, concisão, penetração, acabamento (nada sobra, nada falta - reduz-se ao essencial). Parágrafos (e capítulos) curtos, dinamizados pela frase sarcástica, brincalhona (barroca), com feições de zigue-zague.

www.escolavesper.com.br/machado_de_assis_vida_e_obra.htm