
Mário Raul de Morais Andrade nasceu em São Paulo em 1893. Era professor de música, grande pesquisador do folclore, colaborador de vários jornais e revistas, poeta, romancista, crítico literário, crítico musical, ensaísta de arte, folclore, literatura e música.
Algumas de suas obras foram:
- Poesia: Há uma gota de sangue em cada poema (1917), Paulicéia desvairada (1922), Losango cáqui (1926), Clã do jabuti (1927), Remate de males (1930), Poesia (1941), Lira paulistana, seguida de O carro da miséria (1946).
- Conto: Primeiro andar (1296), Belazarte (1934), Contos novos (1946).
- Romance: Amar, verbo intransitivo (1927), Macunaíma (1928).
- Ensaio: A escrava que não é Isaura (1925), Música do Brasil (1941), O movimento modernista (1942), O empalhador de passarinhos (1944).
-As Propostas Modernistas de Mário de Andrade:
Inventariando as principais direções que embasaram a obra de Mário de Andrade, podemos relacionar:
a) o fascínio pela construção do objeto estético, a pesquisa da linguagem, o experimentalismo lingüístico;
b) o folclore nacional, em suas múltiplas manifestações;
c) a ruptura com a tradição, com o academicismo, com as correntes estéticas finisseculares;
d) o combate às instituições arcaicas, ao convencionalismo burguês;
e) a biografia emocional (especialmente a partir de Remate de Males);
f) a interpretação psicanalítica dos mitos folclóricos e dos costumes urbanos (em Macunaíma, Amar verbo intransitivo e Contos novos).
É necessário ressaltar a liderança intelectual que Mário de Andrade exerceu sobre os escritores do seu tempo. Através de cartas, entrevistas, conversas pessoais, divulgou suas idéias e influenciou inúmeros escritores. Observe um trecho de uma carta que fez para o então escritor Fernando Sabino:
'São Paulo, 10-01-42'.
Fernando Tavares Sabino
"Si você quiser continuar sendo escritor, antes de maio nada tem que encurtar o nome. Tavares Sabino, Fernando Tavares, Fernando Sabino. O impossível é Fernando Tavares Sabino. Me desculpe esta sinceridade e entremos pelas outras. Muita ocupação, só nesta noite de sábado pude ler os seus contos e lhe escrevo imediatamente, enquanto a impressão é nítida. Saio do seu livro com a convicção de que você é um escritor, é um artista. Não que o livro seja bom, mas é uma estréia excelente, uma estréia promissora, denunciando fartas possibilidades".
Observe que o trecho mostra bem o estilo de Mário de Andrade na liberdade com que escreve - "Si, Me desculpe" - agredindo a ortografia e à sintaxe. Bem Modernista!