-- Nascido em Itabuna em 10 de agosto de 1912, Jorge Amado foi o romancista brasileiro com o maior número de obras traduzidas em todo o mundo, a maioria delas retratando os tons sensuais de sua nativa Bahia. Com apenas 15 anos, começou a trabalhar como repórter policial, no Diário da Bahia. Quatro anos mais tarde, lançou seu primeiro romance, "O País do Carnaval", surpreendendo a crítica e o público com sua aguçada crítica política. Junto com a carreira de escritor, começava a militância comunista que o levou a ser preso durante o Estado Novo. Alguns de seus livros foram apreendidos pela polícia política de Getúlio Vargas. "Ele foi um pioneiro ao criar um público para a literatura brasileira", definiu o historiador Nelson Werneck Sodré. Amado mudou-se para o Rio de Janeiro em 1930 e formou-se em Ciências Jurídicas e Sociais. Fundou e dirigiu jornais e revistas, escreveu uma biografia do líder comunista Luiz Carlos Prestes, "Cavaleiro da Esperança", em 1942. Em 1945, elegeu-se deputado federal pelo Partido Comunista Brasileiro. Dois anos depois, perdeu o mandato quando o então presidente Eurico Gaspar Dutra baniu os partidos de esquerda no Brasil, declarando sua ilegalidade. Amado passou a viver como exilado em diversos países, como a França e a antiga Checoslováquia. No exterior, escreveu "Os Subterrâneos da Liberdade", romance em três volumes que dissecava o Estado Novo e denunciava a perseguição política, a tortura e as prisões. Em 1952, seus livros foram proibidos nos Estados Unidos. Em 1956, contrariado com os rumos do comunismo na antiga União Soviética, desfiliou-se do PCB. Em 1958, escreveu aquele que seria um de seus maiores sucessos internacionais, "Gabriela, Cravo e Canela", que marcou uma nova fase literária, em que se destacavam os personagens bufões, os malandros, o humor e o lirismo. A obra ganhou versão em 33 idiomas, virou novela e filme.
Com "Dona Flor e Seus Dois Maridos", Amado fez história no cinema, como o autor de maior bilheteria no Brasil. Membro da Academia Brasileira de Letras desde 1961, recebeu, em março de 1998, o título de doutor honoris causa na Sorbonne, em Paris, uma das mais importantes universidades do mundo. Nos últimos anos, por causa dos problemas cardíacos, Amado recolheu-se à sua casa em Salvador, no tradicional bairro do Rio Vermelho. Desde 1996, usava um marcapasso. Em uma autobiografia, Amado definiu-se como merecedor de muito mais do que sonhara em vida e disse que lutou por duas grandes causas do homem: a do pão e a da liberdade.
Jorge Amado foi o autor que traduziu de forma mais perfeita a Bahia, a terra do cacau, as mulheres brejeiras, a brasilidade, a cultura de um povo rico em personagens.
Seu primeiro livro, "O País do Carnaval", lançado quando Amado tinha apenas 19 anos, surpreendeu o público, por suas aguçadas críticas políticas. Nas décadas que se seguiram, o autor viu sua obra traduzida em 36 idiomas.