página anterior

Juvenília VII


Ah! quando face a face te contemplo, 
E me queimo na luz de teu olhar, 
E no mar de tua alma afogo a minha, 
E escuto-te falar; 


Quando bebo no teu hálito mais puro 
Que o bafejo inefável das esferas, 
E miro os róseos lábios que aviventam 
Imortais primaveras, 


Tenho medo de ti!... Sim, tenho medo 
Porque pressinto as garras da loucura, 
E me arrefeço aos gelos do ateísmo, 
Soberba criatura! 


Oh! eu te adoro como a noite 
Por alto mar, sem luz, sem claridade, 
Entre as refegas do tufão bravio 
Vingando a imensidade! 


Como adoro as florestas primitivas, 
Que aos céus levantam perenais folhagens, 
Onde se embalam nos coqueiros presas 

Como adoro os desertos e as tormentas, 
O mistério do abismo e a paz dos ermos, 
E a poeira de mundos que prateia 
A abóbada sem termos! ... 

Como tudo o que é vasto, eterno e belo; 
Tudo o que traz de Deus o nome escrito! 
Como a vida sem fim que além me espera 
No seio do infinito. 


www.omaldoseculo.hpg.ig.com.br