Nome do Escritor: Saulo Barreto

Escritor Saulo Barreto

Data de Nascimento: 17/05/1983

Local de Nascimento: São Luís MA

A viagem

Há noites, Dona Marisa não dormia direito. Constantemente, era acordada por diversos ruídos advindos de sua cozinha; não somente deste ambiente, bem como também de vários outros cômodos da casa. Aliás, todos os lares têm seus sons estranhos. Pensar sobre ou tentar saber o que são na realidade, levaria fatalmente, em qualquer cabeça, a suposição de infinitas hipóteses.
Mas, os sons que incomodavam particularmente Marisa, já haviam extrapolado todo o limite tolerável da normalidade.                  
A cada dia, eles ficavam mais contundentes e ruidosos. Ouvia cadeiras se arrastando, a porta da geladeira se abrindo, utensílios domésticos amanheciam ao chão, a TV ligava sozinha... Certo dia, chegou a encontrar até uma jarra e um copo de água tomado pela metade em cima da mesa. Como aquilo foi parar lá? Ela não imaginava como.                                                         
“Meu Deus, que coisa estranha, como aquilo foi parar naquele lugar? Será se eu ou algum dos meninos somos sonâmbulos? Ou será se estou tendo uma espécie de amnésia; ou pior, teria sido eu acometida por um caso grave de Alzheimer precoce?”, pensava ela consigo mesma, ao acordar, como primeira reflexão matinal, sentada na borda da cama, com os sobrolhos cerrados e profundamente contrita.   
Livro: Discursos mudos

Formação Acadêmica: Superior

Local onde vive: São Luís MA

O chá do decano

Depois de terem enfrentado importante compromisso - mais um, dentre muitos outros de suas longas jornadas acadêmicas -, três jovens colegas universitários, de uma conceituada e tradicional universidade de medicina, decidem se reunir, extraordinariamente, num bar próximo. O clima era tenso, muito tenso.                                                                                    
Ainda trajados com suas vestimentas brancas, dos pés à cabeça; seus rostos contritos e atribulados, sinalizavam de que haviam acabado de realizar uma difícil prova; apesar do preparo prévio, intenso e esmerado do trio. Toda essa consternação, não era para menos. De tão exigente que foi a aplicação do exame; todo um aparato foi montado, para que não houvesse, segundo os aplicadores dela, o mínimo de risco possível em ocorrências de “fraudes”, em outras palavras, a famosa “cola”.
Por exigência do professor, com exceção do aplicador, foram ainda convocados outros dois fiscais extras da universidade, unicamente com intuito de vigiar a citada avaliação, na respectiva sala, onde a mesma seria aplicada.     
Não somente isso, as instruções e o rigor exigido para realização dela, mais pareciam uma seleção para concurso público com vistas ao ingresso na carreira judiciária, militar ou até mesmo na polícia. Fora os perspicazes olheiros, os testes se diferenciavam integralmente um dos outros, além de serem compostos de dez questões dissertativas, com escrita mínima de vinte linhas para cada questão.    
Livro: Discursos mudos

 

Nascido em 83, na década considerada como “perdida”, há mais de dez anos encontra-se radicado na ilha de São Luís do Maranhão, onde bacharelou-se em Direito, pela Universidade CEUMA, tendo sido aprovado no XXI Exame de Ordem. No ano de 2018, tornou-se, também, Bacharel e Licenciado em Ciências Sociais (Antropologia, Sociologia e Ciência Política) pela Universidade Estadual do Maranhão – UEMA. Concluiu o curso cristão RHEMA – Centro de Treinamento Bíblico (2 anos). Tem proficiência nas línguas latim, espanhol, italiano e francês. Foi recentemente agraciado com a “Medalha 180 anos Brigadeiro Tibúrcio”.

Um discurso para a ONU

Senhor Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas, Senhor Secretário-Geral das Nações Unidas, Senhores e Senhoras Chefes de Governo, de Estado e de Delegações, Senhores e Senhoras,
O odor sulfídrico que impregnam meus focinhos, digo, narinas, aqui neste lugar, indica que o diabo esteve por aqui! - disse o próximo orador, assim que subiu ao púlpito, logo após ter discursado, o eminente chefe de estado americano. – Antes de mais nada, é com muita satisfação, que me dirijo aos demais senhores e senhoras, desta importante instituição mundial, além dos milhões de ouvintes do mundo todo, que acompanham a transmissão dessa cerimônia pela televisão; com a intenção de expor o meu humilde agradecimento. E aqui o faço, sobretudo, pela oportunidade histórica, de ser facultada - ainda que muito insuficiente, deve-se ponderar -, um pouco de voz a minha humilde pessoa; que de certa forma, cumula hoje, a função de representar os anseios de todos aqueles outros seres, sejam eles da minha espécie ou não; sujeitos esses, como todos nós sabemos, sistematicamente esmagados pelas forças dominantes mundiais séculos e séculos a fio.                                                            
Entretanto, graças a esse cordato gesto de extrema galhardia - e aqui aproveito para reiterar novamente minha singela saudação a todos e todas -, acabou sendo possível a presente chance de discursar, de um modo geral, a respeito da sôfrega, triste e injusta condição de vida por que vem passando os seres classificados na categoria biológica como seres “irracionais”, a qual me faço incluso. Vejam bem, eu falei “IR-RA-CI-O-NA-IS”. Farei isso, senhores e senhoras, logicamente somente a título de ilustração, pois não poderei eu, jamais ter o direito de traçar um paralelo ao que direi, sem deixar de mencionar alguns pormenores da conveniente, mas simples história, dessa que foi, a minha peculiar vida de jumento, devo dizer. Isso mesmo senhores, aqui quem vos fala é um Jumento, ou um “ex-Jumento”, como muitos outros ainda insistem se referir quando tratam da minha pessoa.
E aqui, aproveito para acrescentar outra relevante ressalva: permitam-me, a partir de agora, de grafar meu lindo nome, nos documentos oficiais, aos quais assinarei juntamente com os demais senhores e senhoras, com "J" maiúsculo, ou seja Jumento.    
Livro: Discursos mudos

EMAIL: sauloblf@gmail.com

O último pedido

Nesses últimos tempos e apesar da idade já bastante avançada, era um sujeito que andava bastante pelas ruas; aliás, isso, ao contrário do se possa significar (o de que, andar pelas ruas nos pareça ser um avanço de conquistas sociais e humanas sem precedentes); nada mais é na realidade, do que, em outro sentido, uma velada obrigação funesta imposta a todos.                                 
Isso, definitivamente nos parece ser um fato! Não obstante, “andar pelas ruas”, por mais que não haja sentido algum, tem o condão secundário, também, de introjetar no cidadão um sentimento de certa relevância pessoal, haja vista ser essa atitude, uma prerrogativa fundamental em exercer o tão fabuloso direito constitucional de ir e vir preconizado acredito, nas cartas magnas de todas as nações mais festejadas mundo afora.                                               
Falamos aqui de um sujeito já bastante idoso. Este senhor, durante toda sua trajetória terrena - e seu nome será revelado mais adiante - costumava dizer de si para si (pois, àquela altura da fase da vida não havia ninguém que estivesse disposto a ouvi-lo) -, que já havia passado por absolutamente de tudo na vida.                      Aliás, muito bem antes, ainda aos tenros 20 anos de idade, chegava ao disparate em afirmar de já ter ele visto de quase "tudo" nela; portanto, nada que se apresentasse diante dos seus olhos naqueles tempos - seja ela de bom ou ruim - seria capaz de exercer algum fascínio (caso fosse bom) ou repugnância (caso fosse ruim), a sua pessoa.
Livro: Discursos mudos

Escritor Saulo Barreto - Livro Discursos mudos

O outro lado

Era um imenso e nabanesco banquete, assim como aqueles promovidos por líderes políticos, tais como o assírio Assurbanípal, o romano Júlio César e o francês Luiz XVI, quando do auge de seus reinados como chefes de nação.                                    
Dois mil convidados apostos, reuniam 40% do PIB da cidade naquele recinto. Suas funções sociais? Eram as mais diversas possíveis: senadores, deputados, agropecuaristas, industriais, empresários, artistas e atletas famosos, perfaziam uma pequena amostra de algumas dessas figuras cativas no evento. No pátio externo, um disputado heliporto, com um congestionamento de helicópteros jamais visto ao ar, posando com uma sagacidade brutal, com vistas a não perder nenhum segundo daquela concorridíssima noite.                        Para servir e agradar os exigentes e seletivos paladares um centenário buffet, do mais alto gabarito, foi contratado somente para se dedicar exclusivamente, com uma semana de antecedência, para dar conta ao colossal trabalho. Essa recepção, se diferenciava no mercado por oferecer um diferencial por utilizarem o método oriental Kaizen, em sua administração.                                            
A decoração do lugar, ficou sob a responsabilidade dos melhores designers, decoradores e arquitetos estrangeiros. Era uma festa estilo Vintage. Nas paredes cortinas De Voile. Para decorar o teto lustres adornados com cristais e ametista e, nas mesas arredondadas castiçais e velas ao centro. Os talheres eram banhados em ouro, em tons dourados, tendo a ponta do cabo uma pérola; a porcelana era toda inglesa.    
Livro: Discursos mudos

Livros publicados:
Figurou como organizador e autor nas seguintes obras: Artigo XVII: Um livro de quase crônicas (2014); Artiguelhos (2014); 108 Poesias de José Coriolano de Souza Lima (2015); José Coriolano: Poesias Selecionadas (2015); Pecados consolados (2015), O Circo & outros contos (2016), José Coriolano: Prosa Completa e VI Poesias Inéditas (2017) e Discursos Mudos (2017). Em parceria com o primo César Barreto, foi coautor dos livros: O Poeta do Becco: Uma Viagem no Tempo (2014); O Contador de Histórias: Navegando nas Memórias (2015), Guarany de Sobral: o Glorioso Cacique do Vale (2016), Pe. José Palhano de Sabóia: Anjo, Semideus ou Cavaleiro do Apocalipse? (2017) e O Príncipe do Norte: a Lenda Chagas Barreto Lima (2018).

Genesis Brasillis

Ainda nem havia amanhecido na bela e inspiradora Vila de Santo Antônio de Alcântara; antiga aglomeração, encravada por sobre o continente sul-americano, em meio aos solos fecundos e inexplorados da próspera e centenária capitania do Maranhão colonial, pouco distante de ilha de Upaon Açu.                                         
Era o século XVII, o Brasil se formava lentamente. Tempo frio e chuvoso; uma espessa neblina é soprada, saindo da mata em direção ao mar; eivando assim, um gélido e leve frescor zéfiro da floresta nativa por sobre aqueles torrões.                                                  
Distante quinze quilômetros do centro da metrópole - donde se concentravam igrejas, sobrados e casarões dos senhores - numa região litorânea, um sólido e bem organizado Quilombo então batizado de “Liberdade” se destacava em meio ao matagal virgem.                                                       
No coração dessa aglomeração de resistência, um dinâmico cotidiano se firmava no lugar. Antes, porém, do arvorecer do dia, percebe-se em destaque, a forte presença de um líder.     
Livro: Discursos mudos

Site/Blog: editoraburiti.com.br

A entrevista

Revista X: Antes de iniciarmos a nossa entrevista, propriamente dita, gostaríamos de agradecer, em nome da Revista X, a oportunidade exclusiva que o senhor nos deu, quebrando o silêncio, no intuito de sabermos um pouco de sua tão fascinante história; daquele que é considerado como o detentor único da posição social mais cobiçada do planeta.
Dono do Mundo: Bom, primeiramente, sou eu quem agradeço a oportunidade de falar junto a esse estimado veículo de comunicação, tão apreciado no mundo todo, por intermédio dos seus mais bem informados leitores e leitoras. Obrigado pelas considerações e fiquem absolutamente à vontade, façam as perguntas que acharem pertinentes.
RX: Agora sim dando início a nossa entrevista em si, gostaríamos antes que o senhor nos falasse um pouco de sua trajetória vida para os nossos leitores. Conte-nos um pouco sobre a sua invulgar vida? Nos fale um pouco dela, de suas origens, do seu passado... Como foi que o senhor chegou até aqui?
DM: Bem, como você já pode imaginar, falar de como cheguei até aqui é uma parte um tanto quanto delicada, diria eu. O que posso lhe afirmar é que não foi nada fácil! Muitos tentaram, porém, só eu consegui. Se fôssemos falar de toda a minha história nos mínimos detalhes, teríamos de contar com milhares e milhares de horas de entrevista a fio; mas como você nem muito menos eu dispomos desse tempo, vou tentar ser bem breve na minha explanação. Nasci como qualquer um de vocês. Fui criança, jovem... e no decorrer do meu crescimento biológico logo percebi, assim como qualquer outro, que ninguém, nem mesmo os elementos da natureza, vem ao mundo a toa, concordas? Eles tem de ter uma função um propósito de vida. Isso é fato! Depois de muito raciocinar diante do que se apresentava aos meus olhos, digo a minha frente, ainda que de maneira superficial, cheguei à conclusão que teria de fazer alguma coisa, senão...    
Livro: Discursos mudos

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