Lembranças vagas
Vejo-a deitada na cama, cansada, dormindo profundamente e com algo nos lábios que eu poderia dizer que é um sorriso. Lá fora a chuva cai juntamente com a paz da cidade do interior.
São quase 3 da manhã e apenas uma pergunta vem a minha cabeça quando a vejo deitada na minha cama: “Por quanto tempo você vai continuar aqui... perto de mim?”. Minha cabeça dói, talvez seja de tanto imaginá-la aqui... para sempre. Deito ao seu lado, sinto o perfume de seus cabelos e de seu corpo que está “jogado” sobre a bagunçada cama.
Abraço-a e durmo feliz.
Uma pequena luz bate sobre meu rosto, amanheceu. Procuro meu celular na cabeceira da cama, encontro-o, vejo as horas, 10:30h. Levanto, vou ao banheiro tomar banhopra depois tomar o café da manhã. Já tomando o café começo a pensar o porquê da minha felicidade e o que aconteceu ontem.
Lentamente as lembranças surgem, porém de modo vago, sem sentido, mas mesmo assim, encaixando as peças, lembro a causa de minha alegria... ela. Mas... onde ela está? Pra onde foi? Por que foi embora? Talvez estas sejam as perguntas erradas... talvez eu deva perguntar se ela existe, se não foi apenas um sonho mesmo que... ainda sinta o perfume dela nos lençóis, lembre a maciez de sua pele ou ainda encontre um fio de cabelo seu no travesseiro!
Talvez eu tenha que me contentar da inexistência mesmo. Talvez a inexistência seja o melhor pra mim, mas sei que esta inexistência sempre ficará em minhas lembranças.