
Não me esquivarei Desse destino ambidestro Dos caminhos que ousei tomar... Sou a sensibilidade a cada nervo A carne que palpita E geme Que só sabe te chamar... Meus sonhos úmidos Deixam vestígios inconfessáveis... Meu sangue é vinho dos Deuses Venha se embriagar Queimar nas brasas De minha carne ardente Destruir as sagradas barreiras Construir um novo modo de amar... Hoje não sou mais abstrata Definem-se as curvas Do imprevisto As retas dos que Sabem buscar... Sou selva doce e molhada Serena E labareda incandescente Estou tomada, Perdida Nesse sonho indecente Que insiste, Que procura, Vc a me adentrar... Rompe portas no arrebato Deixa a vida pra lá Viola a carne A vida Faz-me mulher nesse altar... Sonho e desvario É quase um navio Sem porto pra atracar... E a dualidade da existência É roda da vida a te empurrar Vem pros meus braços, amor Até o dia raiar...
Autor: Letícia Marques
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