
Papo Firme!
O tempo passa, e ele é democrático, pois todo mundo envelhece junto. Só que a percepção disso demora. Para nós, só os velhos envelhecem.
Quando somos crianças, o mundo é dividido entre aqueles que brincam o dia inteiro e aqueles que nos dão ordens.
Quando somos adolescentes, o mundo ganha um segmento a mais: existem os que são novos demais para andarem conosco, as pessoas legais da nossa idade, e aqueles velhos que causam vergonha quando levam a gente em uma festa.
Aí chegam os vinte e poucos anos. Os preconceitos vão embora. Amadurecemos. Só tem uma coisa que não dá para conter de jeito nenhum: a risada, sempre que alguém fala com naturalidade uma frase de uma época em que você nem existia.
- "Isso é da época do ronca"
- "Flor não tem acento?"
Pronto, aqueles de vinte e poucos anos se contorcem no riso, deixando claro que o outro é peça de museu.
Mas você, nesta faixa etária, já pensou que também está ficando velho? Já pensou que coisas que fala no dia a dia não fazem o menor sentido para as gerações que estão chegando agora ao colegial? Ops, quer dizer, que estão começando o ensino médio?
Exemplos:
1) Nossa, você só fala a mesma coisa. Vira o disco!
2) Gostaria de conhecer melhor o seu lado B.
3) Demorou para cair a ficha, hein? É D.D.D.?
Pois é... Saiba que aquele seu primo adolescente já tem vergonha de andar com você. Os amigos dele certamente vão te chamar de tia (ou tio).
E não adianta tentar se manter contemporâneo. Sua idade vai aparecer de qualquer forma.
A língua portuguesa acaba de passar por uma reforma, mas você, jovem senhor que já foi alfabetizado, vai continuar escrevendo " vôo" com acento, quando ele já deixou de existir. Entregando assim, sua origem Matusalém.
Seu RG começa com 29, enquanto o do seu colega, começa com 42. O galã ou a mocinha que te fazem sonhar, já estão perto da terceira idade. Seu filho nem vai saber o que é papel almaço (nem com, nem sem pauta). Enquanto você disca um número de telefone, ele digitará.
Resumindo: o tempo passa, o tempo voa. E a poupança Bamerindus continua numa boa. É a poupança Bamerindus... dus, dus, dus!
Por Cássia Godinho: cassiagodinho@yahoo.com.br