Uma coisa é certa: a imagem que nós recebemos, no Brasil, dos outros
países, é muito mais positiva do que a realidade. Acho que precisamos
educar todos os brasileiros em marketing.
Essa de confundir os governantes com a Pátria é boa. E isso acontece porque
ninguém se sente parte do Brasil. Falamos da Nação como se fosse terra dos
outros. Se dizemos "O Brasil é uma m*", esquecemos que somos parte dele, e
que parte da responsabilidade é nossa.
Uma das explicações é a formação do povo, e a falta de identidade. O que é
um brasileiro? Vemos famílias italianas, orientais, alemãs etc. preservando
a cultura e hábitos de seus países de origem, torcendo por eles em
competições esportivas, chorando os falecimentos dos seus governantes. Mas
essas pessoas não estão morando no Brasil? E seus filhos não são
brasileiros?
Na verdade, a utopia que eu gostaria de ver na prática seria o mundo sem
nações e sem fronteiras. Mas, enquanto isso não é possível, precisamos
gostar da nossa terrinha, que é maravilhosa (quanto mais você conhece os
outros lugares, mais valoriza a nossa natureza). O que está errado no
Brasil? As pessoas? Por que? Falta-lhes a habilidade para pensar no bem
comum, na sociedade, e não apenas em si. Por que? Porque maus governos não
oferecem oportunidades iguais, o que força as pessoas a se virarem para
sobreviverem ou construírem um patrimônio, e isso as torna egoístas. Por
que? E por ai vai...
?O maior problema do Brasil, é a baixa auto-estima do brasileiro?
Professor James Heckman
Prêmio Nobel de Economia 2000
Rio de Janeiro, 11 de outubro de 2000
Tem toda razão o prêmio Nobel de Economia, Professor James Heckman.
Talvez um dos maiores problemas que tenhamos no Brasil seja a baixa
auto-estima do brasileiro. Como eu sempre digo, o Brasil é um cálice de vinho com meio
vinho ? metade cheia, metade vazia ? mas o brasileiro só consegue enxergar a
metade vazia do cálice. O brasileiro consegue desacreditar mesmo das
notícias comprovadamente boas sobre nosso país. E, pode reparar, dá crédito a
todas as notícias ruins, sem delas duvidar ou sem conhecer as fontes. Assim,
quando os números da inflação, do desemprego ou quaisquer outros negativos sobem,
todos comentam e dizem ?Êta Brasil! Isto não vai mesmo pra frente!?. E
quando os números são positivos, a inflação baixa, o desemprego cai, a
criminalidade diminui, logo dizem: ?O Governo pensa que pode enganar a gente com essa
mentira toda...?. ? mesmo que os números positivos nem sejam de organismos do
governo. Outro dia vi empresários e pessoas de certa cultura dizendo que a
FIPE(USP) e FGV - Fundação Getúlio Vargas ? ?são órgãos do governo e manipulam
todas as estatísticas....? (sic), sendo que todos sabemos serem órgãos dos mais
sérios e totalmente desvinculados do governo.
O argentino não fala mal da Argentina para estrangeiros. O americano
morre e não fala mal dos Estados Unidos para um não-americano. O alemão só
elogia o seu país para os de fora. Mas nós brasileiros temos o incrível hábito
de só falar mal do Brasil para nós mesmos e para estrangeiros. Quando o IBGE
mostra dados cada vez mais positivos do Brasil, não acreditamos. Quando
economistas do mundo inteiro elogiam o Brasil, dizemos que eles não vivem aqui e não
sabem a ?desgraça? que é este país. Mas quando alguém fala mal do Brasil ?
logo concordamos ? e incentivamos, e ajudamos.
No Brasil confundimos a ?Nação? com o ?Governo?. A imprensa não fala
bem do Brasil porque tem medo de ser considerada ?atrelada ao governo?. A maior
parte da imprensa (jornais, revistas, TVs, rádios, etc.) em vez de mostrar
fatos e dados ? negativos e positivos ? faz a vez de ?partido de oposição? o
que absolutamente não deve ser o seu papel diante dos fatos.
Nesta semana, pense nisso. Não terá razão o Prêmio Nobel de Economia,
Prof. James Heckman, quando diz que ?o maior problema do Brasil é a baixa
auto-estima do brasileiro?? Será que melhorando nossa auto-estima não seríamos
capazes de fazer um país realmente melhor, com pessoas mais felizes, torcendo
para o sucesso ao invés do fracasso; elogiando o certo ao invés de só criticar o
erro e ajudando a encher a parte vazia do cálice? Pense nisso. Boa Semana. Sucesso!
Luiz Almeida Marins Filho, Ph.D.