Todos os dias, pontualmente ao meio dia,
um homem maltrapilho e sujo,
entrava correndo na igreja,
ajoelhava em frente ao altar,
fazia o sinal da cruz e voltava
correndo para a rua, do mesmo modo como entrou.
Admirado com a repetição diária da cena,
o padre não se importou dizendo para si mesmo
que a casa de Deus está aberta a todos.
Mas acabou ficando tão incomodado com aquilo,
que resolveu esperar o homem na saída da igreja.
Segurou-o pelo braço e perguntou:
- Quem é você?
- E porque você entra correndo e sai correndo em vez de assistir a missa toda?
Ao que o homem respondeu:
- Eu sou o Zé e não tenho tempo para assistir
a missa toda por que tenho que trabalhar
nas ruas, por isso passo sempre aqui
e entro rapidinho só para falar com Jesus.
- Como é que você faz isso correndo desse jeito?
- Claro que Jesus não vai te ouvir!... Falou o Padre.
E o homem:
- Não sei se Ele ouve ou não Padre...
- Mas eu não deixo de falar com ele.
- Entro, ajoelho e digo:
- Oi Jesus... tudo bem? Aqui é o Zé.
Passado algum tempo, o Zé foi atropelado
nas ruas e ficou muito mal, durante muito tempo.
Assim que começou a se restabelecer,
a Madre que tomava conta daquela enfermaria,
cheia de indigentes e desvalidos,
ficou surpresa com o Zé. Ele estava sempre bem
e conseguia passar aos outros internos
um pouco de alegria e conforto.
- Ô Zé, como é que você não tendo ninguém
nem nada no mundo, todo quebrado, quase morreu,
ainda tem alegria para compartilhar com os outros?
Eu não entendo.
Ao que o Zé Respondeu:
- Ah Irmã, eu acho que é por causa da visita
que recebo todos os dias, pontualmente ao meio dia...
- Que visita? Você está variando homem?
- Ninguém vem te ver...
- Claro que vem Irmã!
- Todos os dias, ao meio dia ele chega
ao pé da minha cama e diz:
- Oi Zé!... Tudo bem?... Aqui é Jesus...