Brasil/Comédia
título O Xangô de Baker Street
diretor Miguel Faria Jr.
ano 2001
país de origem Brasil, Portugal
língua Português
cor Colorido
elenco Cláudio Marzo, Maria de Medeiros, Joaquim de Almeida, Cláudia Abreu,
Marco Nanini, Anthony O'Donnell, Thalma de Freitas, Caco Ciocler, Marcello Antony
distribuidora Columbia
Resenha
Elenco afinado e produção impecável marcam O Xangô de Baker Street
Durante entrevista coletiva para o lançamento de seu mais recente longa-metragem, o diretor Miguel Faria Jr disse que se fosse adaptar integralmente O Xangô de Baker Street, romance de Jô Soares que já vendeu mais de 450 mil exemplares no país, o filme teria oito ou nove horas. Mas o roteiro do diretor e da escritora Patricia Melo sintetizou com perfeição, em 94 minutos, as aventuras do detetive inglês Sherlock Holmes e seu fiel auxiliar Dr. Watson no Rio de Janeiro. A trama se passa no período que antecedeu a Proclamação da República e a libertação dos escravos misturando, com humor e inteligência, figuras históricas como Sarah Bernhart, Dom Pedro II, Olavo Bilac e Chiquinha Gonzaga, como personagens criados pelo humorista como a mulata e o inspetor trapalhão. Todos envolvidos no misterioso caso de desaparecimento de um Stradivarius e do assassinato de uma prostituta. O filme levou quatro anos para ser concluído e custou aproximadamente R$ 10 milhões. A recontituição de época é impecável e foi a etapa mais difícil e trabalhosa da produção do longa. Segundo Miguel, aqui no Brasil é muito difícil encontrar prédios históricos conservados e sem nenhuma interferência moderna. "A solução foi gravar parte do filme no Porto, em Portugal, e parte no Rio", disse. Miguel afirmou que Jô Soares - que faz uma participação especial no filme como Desembargador - não interferiu na obra em nenhum momento. "Combinamos de discutir o filme depois de pronto. A única coisa que ele sugeriu foi o nome de Joaquim de Almeida para o papel de Sherlock Holmes", contou o diretor, aproveitando para dizer que a mistura de nacionalidades do elenco - Joaquim é português, Maria de Medeiros, uma portuguesa criada na França, o Anthony O'Donnell, o Dr. Watson, um ator inglês, e o restante de brasileiros -, só ajudou na integração da equipe. E revelou: "Difícil mesmo é trabalhar com ator ruim. Quando é bom, pode ser de qualquer nacionalidade". O diretor e o produtor Bruno Stroppiana não fizeram o filme pensando no mercado internacional, embora as qualidades artísticas e técnicas garantam uma boa carreira no exterior. Para Bruno, que diz ter a sorte ao seu lado por conta dos 25 anos de produções de sucesso no currículo, como Buena Sorte, Tieta do Agreste e For All, "Xangô é um filme tecnicamente impecável para ser vendido em qualquer mercado do mundo. E a época em que a história se passa também é muito interessante para os estrangeiros", declarou. O enredo policial com toques de humor deve cair no gosto do grande público. O português Joaquim de Almeida, filmando pela primeira vez no Brasil, ator de maior prestígio internacional, se disse ansioso para participar de novas produções no país. Contou que adorou trabalhar com Marcos Nanini e as jovens atrizes brasileiras e que só sentiu dificuldade mesmo em gravar sob o calor do verão carioca e em falar o português mais pausadamente. "Nós, portugueses 'comemos' as palavras", brincou. A cena de maior destaque no filme e também uma das preferidas dos atores, do diretor e do produtor, é a que o Dr.Watson incorpora uma pomba-gira. Para preparar a cena, atores e produtores visitaram um terreiro de umbanda no Estado do Rio. Segundo Joaquim de Almeida, Anthony O'Donnell, que interpreta o auxiliar de Holmes, ficou bastante impressionado com que viu e com medo de não conseguir representar direito a entidade feminina e acabar incorporando de verdade a pomba-gira. "Hoje ele é médium", brincou o português. O clima de satisfação presente na coletiva pôde ser traduzido nas palavras de Marcos Nanini ao falar da composição de seu personagem. "Era importante encontrar o tom certo, já que tinha que ter o toque do humor na história policial. Mas o desafio acabou se transformando num grande prazer", declarou. E encerrando, Miguel Faria Jr explicou: "O filme é uma grande brincadeira. Mostra o início da globalização do Brasil quando há a troca de culturas diferentes. Ver o filme na tela grande só me dá uma sensação de enorme prazer".
Danielle Marckes/Redação Terra
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