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Brasil/Romance 
título Avassaladoras 
título original Avassaladoras 
diretor Mara Mourão 
nossa opinião   
ano 2001 
país de origem Brasil 
duração 93 min 
língua Português 
cor Colorido 
classificação livre 
elenco Caco Ciocler, Giovanna Antonelli, Reynaldo Gianecchini 
distribuidora Fox 

Resenha

Avassaladoras faz humor sobre a solidão feminina

Não é de hoje que o cinema brasileiro procura um caminho para reencontrar o sucesso popular de que já desfrutou em alguns períodos de sua história, caso do tempo das comédias da Atlântida dos anos 40 e da pornochanchada dos anos 70. Portanto, nada existe para se criticar na intenção da diretora Mara Mourão que, desde seu filme de estréia (Alô! E a Minha Comissão?, de 1995) insiste nessa chave. O problema, no seu caso, está no modo como procura chegar lá.

Incorporando outro ingrediente que não costuma faltar em receitas de sucesso mais recentes (caso de A Partilha, visto por quase 1,5 milhão de pessoas), a comédia Avassaladoras procura ganhar a simpatia do público antes mesmo de que ele saiba qualquer detalhe de sua história, ou seja, recheando o elenco de astros da TV.

E, se Avassaladoras se revelar outro sucesso, não será pouca coisa o fato de ter como protagonista a estrela da novela das oito do momento - Giovanna Antonelli, a Jade de O Clone -, ao lado de um dos galãs mais unânimes, ao menos em nível de sex appeal, Reynaldo Gianecchini.

Apostando no mandamento de não complicar nada a vida do público que gosta de novelas - com certeza, o alvo preferencial aqui - a trama é escandalosamente simples: Laura (Giovanna) é uma jovem designer gráfica que sofre uma grande desilusão com o namorado de muitos anos, que a passa para trás.

A mágoa faz com que se afaste dos homens, mergulhando no trabalho. No escritório, divide segredos com algumas amigas, solteiras e carentes como ela, e sofre o assédio implacável do destruidor de corações do pedaço, Thiago (Gianecchini).

Laura não quer nada com homens como Thiago, mas a solidão está batendo pesado - e um dos pontos fracos do filme é não conseguir caracterizar com a sensibilidade necessária um sentimento que com certeza abate muitas mulheres hoje, jovens ou não.

A carência das moças e seus envolvimentos amorosos são retratados com uma falta de sutileza que resvala na cafajestagem, um pecado imperdoável num filme dirigido por uma mulher - mesmo que a intenção seja fazer rir. O humor, afinal, sempre corre o risco de ser grosseiro.

Uma intervenção luminosa vem da veterana comediante Rosi Campos, que dá um show de saborosa espontaneidade como Lúcia, a sacudida dona de uma agência de casamentos que tentará ajudar Laura a encontrar o parceiro ideal. Mesmo que ele seja Miguel (Caco Ciocler), um tanto caricato na pele de um rude comerciante de origem árabe.

Onde é que, então, a engrenagem engasga, numa comédia como esta, ligeira, alto-astral e sem pretensões maiores que o divertimento do grande público? No ponto fraco de sempre: roteiro. Fazer comédia, ao contrário do que parece à primeira vista, é a coisa mais difícil do mundo. Escrever bons diálogos, espirituosos, simples, com ritmo então, é um desafio ainda maior.

Uma das piores tradições que está mais do que na hora de aposentar no cinema nacional é não se apostar na formação de bons roteiristas - em geral, o diretor acumula essa e todas as outras funções, embora nem sempre tenha talento específico para algumas delas. Assim, nem mesmo em nome da busca da simplicidade, é possível perdoar que diálogos contenham "pérolas" do tipo: "eu estava me sentindo tão abandonada quanto uma samambaia seca" ou a vida é como um sutiã vazio: tem que meter os peitos.

Outra inadequação, talvez a pior delas, é que, mesmo retratando personagens na faixa dos 30 anos, todas se comportam como pré-adolescentes. Daí, mesmo tendo a maior boa vontade, não dá para não sentir o insulto à própria inteligência como espectador.

Neusa Barbosa Reuters

para saber mais sobre filmes brasileiros:

www.terra.com.br/cinema/

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